Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão desenvolvendo uma terapia avançada que já demonstrou desempenho promissor no controle de uma complicação grave que acomete muitos pacientes após o transplante de medula óssea e pode levar à morte.
A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) se instala quando as células imunológicas presentes na medula doada identificam o organismo do receptor como estranho e passam a atacá-lo. Os problemas podem surgir nos primeiros 100 dias após o transplante, caracterizando uma doença aguda, ou até anos depois, na forma crônica.
As regiões mais atacadas, nos casos agudos, são a pele e o sistema gastrointestinal, ocasionando sintomas como vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e mau funcionamento do fígado. A DECH crônica, por sua vez, pode atingir todo o corpo e, em casos graves, provocar rigidez nos movimentos, dificuldade de respiração e úlceras.
O tratamento tradicional é feito com corticosteroides, que diminuem a inflamação causada pelo ataque das células de defesa, trazendo alívio dos sintomas. No entanto, muitos pacientes apresentam resistência a esses medicamentos de primeira linha, necessitando de corticosteroides mais agressivos ou de imunosupressores.
A alternativa que está sendo desenvolvida pela primeira vez no Brasil, chamada MesenCell, utiliza células-tronco mesenquimais, retiradas da medula óssea de doadores, processadas em laboratório e congeladas até o uso.
- Vacinação com Pneumocócica 20 pelo SUS começará em duas semanas, informa Padilha
- Um em cada quatro brasileiros ignora a possibilidade de prevenção do câncer.
- Anvisa solicita recolhimento voluntário de lote da água Crystal sem gás
- Estado de São Paulo registra quinta morte por febre amarela em 2026
- Anvisa interrompe distribuição de medicamentos para hipertensão e câncer de mama
A responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR e coordenadora do projeto, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, explica que o objetivo é atuar na origem da doença.
“Quem ataca principalmente são as células do tipo T e B, e a nossa terapia diminui a proliferação dessas células. É um efeito que conseguimos ver até em laboratório. Então, ela atua na base, liberando alguns fatores solúveis que vão modular todo o sistema imunológico do paciente, diminuindo a proliferação dessas células e melhorando toda a inflamação”, complementa.
Inicialmente, o MesenCell seria indicado para pacientes que não apresentam melhora com os remédios tradicionais ou que não podem utilizá-los devido à sua toxicidade. Além disso, nem todos os medicamentos recomendados estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
O grupo de pesquisa já realizou um estudo-piloto com 11 pacientes com DECH crônica, utilizando as mesmas células-tronco, mas diluídas com outra substância. Agora, vão realizar um novo estudo clínico com 20 pessoas, utilizando uma mistura que se mostrou mais viável.
Entre os pacientes do estudo-piloto, metade apresentou remissão completa. O medicamento levou à melhora de 75% dos comprometimentos gastrointestinais e 100% dos sintomas de pele, mesmo nos casos mais graves.
“Esses pacientes desenvolvem esclerodermia, uma deposição de fibrobastos na pele, e ela fica endurecida, como se fosse uma carapaça, resultando na perda de mobilidade. Conseguimos reverter esse processo”, conta Carmen.
A nova fase de testes começará em setembro, em três centros de referência no Paraná: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças.
A pesquisa está sendo financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Posteriormente, o grupo de pesquisa espera firmar parceria com uma empresa farmacêutica para viabilizar a produção do medicamento em larga escala.
Fonte: Agência Brasil

