InícioBrasilDireitos HumanosIndígenas pedem formação de comissão para investigar crimes da ditadura.

Indígenas pedem formação de comissão para investigar crimes da ditadura.

Participantes do Acampamento Terra Livre (ATL 2026) exigem do Estado brasileiro a criação de uma comissão encarregada de aprofundar a investigação das violências cometidas por agentes públicos contra comunidades indígenas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

A instalação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade é uma das 13 recomendações feitas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em 2014, visando que o Estado brasileiro inicie reparações pelas “graves violações de direitos humanos ocorridas contra os povos indígenas” durante o período investigado.

“O próprio CNV investigou e descobriu que ao menos 8.350 parentes [indígenas] foram assassinados [no período]”, afirmou Paulino Montejo, assessor político da Articulação dos Povos Indígenas (Apib).

Criada em 2012 para apurar as graves violações aos direitos humanos no Brasil entre 1946 e 1988, a CNV apresentou um relatório final em dezembro de 2014. Com o objetivo de fortalecer o Estado democrático de direito e evitar a repetição dos fatos apurados, os sete membros do colegiado, nomeados pela então presidenta Dilma Rousseff, recomendaram várias medidas institucionais e legais, incluindo a criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena.

“Precisamos lutar por justiça, que só acontecerá se caminharmos com a verdade, com a memória, com a reparação e, sobretudo, com a não repetição [dos fatos]”, declarou Elaine Moreira, professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora de um projeto de pesquisa que dá continuidade às investigações da CNV, capacitando estudantes indígenas a trabalhar com o conceito de Justiça de Transição.

Elaine enfatizou que “a Justiça de Transição requer o resgate da memória, a busca por documentos que relatam esses fatos. Ela também precisa falar a verdade, exigir justiça, reparação e garantir mecanismos de não repetição.”

Ela também destacou que “os indígenas nunca esqueceram das violações”. “Particularmente no Mato Grosso do Sul, muitos já relataram que contaram suas histórias para alguém e nada foi feito.”

Coordenador da Comissão Memória, Verdade e Defesa da Democracia da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert lembrou que, em outubro de 2025, o Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas entregou ao governo federal uma proposta de texto legal para a criação da comissão nacional da verdade indígena.

“Esta proposta coloca os povos indígenas no centro da produção da verdade histórica sobre mais de 500 anos de violações de direitos e busca uma reparação integral”, afirmou Weichert.

O procurador ressaltou a importância de que os não indígenas conheçam a verdade da história, narrada por aqueles que sofreram e ainda sustentam as consequências das violações.

O Fórum Memória é composto por organizações indígenas, como a Articulação dos Povos Indígenas (Apib), Ministério Público Federal (MPF), entidades da sociedade civil e acadêmicos.

Na segunda-feira (6), o fórum organizou uma plenária sobre Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas, uma das várias discussões que fazem parte da programação do Acampamento Terra Livre, que reúne milhares de indígenas no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, até sábado (11).

Fonte: Agência Brasil

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Fábio Sakamoto
Fábio Sakamotohttps://dfnamidia.com.br
Jornalista MTB/DRT 0011561/DF, Desenvolvedor Web. Apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e música.

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