A rede pública de saúde do Distrito Federal está ampliando um instrumento crucial para apoiar o atendimento de pessoas com doença falciforme. A Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) dará início à emissão de carteirinhas de identificação para pacientes com esta condição, em colaboração com a Associação Brasiliense de Pessoas com Doença Falciforme (Abradfal).

O documento visa facilitar o reconhecimento imediato do paciente nas situações de urgência e emergência, propiciando um atendimento mais ágil e alinhado aos protocolos clínicos da doença. A nova carteirinha inclui orientações sobre classificação de risco e um QR code, que direciona os profissionais de saúde a uma área técnica no site da FHB, onde estão disponíveis protocolos de urgência, manuais de atendimento e diretrizes terapêuticas.

O cadastro já está aberto para pacientes atendidos pela rede pública do Distrito Federal, podendo ser solicitado por meio de um formulário eletrônico até 15 de março. As carteirinhas devem ser entregues no segundo semestre, com a expectativa de beneficiar mais de mil pacientes, em comparação com as dezenas atendidas em 2025.

Para os representantes da sociedade civil, essa ação é um avanço na garantia de direitos e na qualificação da assistência. Segundo Elvis Magalhães, presidente da Abradfal, a carteirinha ajuda a reduzir barreiras no atendimento, garantindo o tratamento segundo os protocolos adequados e respeitando as necessidades de cada paciente.

Esta iniciativa é parte da estratégia do Hemocentro para melhorar a atenção a pessoas com doença falciforme na rede pública do DF, especialmente em situações críticas, onde a identificação correta e o rápido acesso às informações clínicas são determinantes para o desfecho do atendimento.

De acordo com Osnei Okumoto, presidente da Fundação Hemocentro de Brasília, o projeto reforça o papel institucional do órgão, que coordena a política de atenção à doença falciforme no DF. O documento visa integrar os serviços de saúde, ampliar a segurança dos pacientes e qualificar o atendimento prestado.

A doença falciforme é uma condição genética hereditária que afeta a hemoglobina, a proteína responsável pelo transporte de oxigênio no corpo. Essa alteração provoca a deformação das hemácias, comprometendo a circulação sanguínea e causando dores intensas, anemia, infecções recorrentes e complicações graves, como acidente vascular cerebral. O diagnóstico precoce, feito pelo teste do pezinho nos primeiros dias de vida, é vital para garantir um acompanhamento contínuo e minimizar riscos ao longo da vida.

A Fundação Hemocentro de Brasília coordena a política de atenção integral às pessoas com doença falciforme na Secretaria de Saúde do DF e participa do Comitê Técnico de Hemoglobinopatias Hereditárias, atuando na articulação da rede, no cuidado especializado e na promoção da educação em saúde.